Estrada Real

Explorando destinos da Estrada Real: Diamantina e Serro

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A Estrada Real me fascina desde criança e adoro conhecer lugares e atrativos por onde ela passa. Alguns desses locais são as cidades de Diamantina e Serro, que tive a oportunidade de visitar em fevereiro de 2019.

No início do século 18 Diamantina era conhecida como Arraial do Tijuco, nome proveniente do Tupi e que significa lama, água suja, uma referência ao lodaçal encontrado pelas Bandeiras que exploraram a região. Inicialmente, o ouro era o mineral cobiçado, até que foram descobertos os diamantes. O grande volume levou à mudança do nome para Diamantina e ao desenvolvimento da cidade, fazendo com que ela não mais pertencesse ao município de Serro.

Acesso

Saindo de Belo Horizonte, que possui o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, o principal acesso é pela BR-040 e BR-135 até Curvelo, e depois pela BR-259 e BR-367 até Diamantina, em um percurso total de aproximadamente 300km. Para os amantes de literatura, uma boa opção é pegar a MG-231 em Paraopeba e seguir por Cordisburgo, onde há o Museu Casa Guimarães Rosa. Como minha viagem foi em família e não pude opinar muito sobre o roteiro (uma das desvantagens de não estar sozinha), fiquei apenas na vontade!

Hospedagem

Ficamos hospedados na região central de Diamantina, pois sempre priorizo localização e, aí sim, a decisão foi minha! A pousada não contava com estacionamento, inclusive porque ficava numa esquina em que uma das ruas possuía acesso proibido para veículos, então tivemos que deixar o carro em um estacionamento parceiro a cerca de 200 metros. Em compensação, na própria rua havia padaria, restaurantes, bares, lojas de souvenir e outros estabelecimentos comerciais. Além disso, os principais atrativos turísticos estavam em um raio de aproximadamente 500 metros.

Há varias opções de hotéis e pousadas, lembrando que as localizadas na região central estão em prédios históricos, que nem sempre contam com acessibilidade. Para pessoas com mobilidade reduzida é recomendado conferir se há mais de um pavimento e confirmar se há acomodações no térreo.

Atrativos

Pelo fato de estar quase ao lado da pousada, o primeiro lugar que conhecemos foi o Mercado Municipal, também conhecido como Mercado Velho ou Mercado dos Tropeiros.

O vimos em funcionamento somente no sábado e no domingo pela manhã, com barracas de alimentação e artesanato local. A maior concentração é dentro do próprio mercado, mas alguns ambulantes aproveitam o movimento e se instalam na Praça Barão de Guaicuí, que fica em frente.

Outro atrativo próximo à pousada era a Catedral Metropolitana de Diamantina – Santo Antônio da Sé, construída na década de 1940 em substituição à antiga Sé, do período colonial.

Aos fundos da Catedral está localizada a antiga Casa da Intendência. Do outro lado da rua fica o Chafariz da Câmara, que apesar de bem preservado, não mais fornece água aos que passam por ali.

Poucos metros à frente está localizada a Praça Juscelino Kubitschek, onde fica uma estátua desse diamantinense que tornou-se uma figura pública devido à política. JK foi prefeito de Belo Horizonte de 1940 a 1946 e presidente do país de 1956 a 1961, sendo um dos responsáveis pela construção do conjunto arquitetônico da Pampulha e da cidade de Brasília, para onde transferiu a capital federal.

A Praça JK converge diferentes ruas originais do século 18, é um ponto de encontro para os habitantes da cidade e foi revitalizada em 2017. Na esquina fica a Igreja de São Francisco de Assis, e na rua que sobe em frente à estátua, fica localizada a casa em que JK viveu na infância e adolescência.

A Casa de JK funciona como museu e fica aberta à visitação de terça-feira a sábado de 8h às 17h e aos domingos e feriados de 8h às 13h. O valor da entrada estava R$10,00.

Localizada na parte alta da Rua São Francisco, de sua fachada é possível apreciar um trecho da Serra que emoldura a cidade.

Outra figura ilustre da cidade foi Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, cujo pai era branco e a mãe negra. Ela viveu como escrava até ser comprada por João Fernandes, um poderoso contratador de diamantes, e ser alforriada. Em uma sociedade escravagista e racista como era o então Arraial do Tijuco, o relacionamento que eles assumiram publicamente gerou conflitos e muitas histórias.

As especulações que surgiram em torno de Chica da Silva dificilmente condizem com a realidade e têm sido desconstruídas por pesquisadores, como tem feito a professora Júnia Ferreira Furtado. Infelizmente, não foi possível conhecer a casa em que a ex-escrava viveu porque estava em reforma.

Em compensação, visitei a Casa da Glória duas vezes, a primeira sozinha e depois em família, pois adorei o local.

Na ocasião, o funcionamento era diário, de 8h às 18h, e a visitação era gratuita. Na recepção solicitam o preenchimento de um cadastro, para fins administrativos. O local é gerido pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais e funciona como espaço de estudo e pesquisa, havendo também vestiários e dormitórios, para uso de professores e estudantes, durante as visitas técnicas e estágios realizados na região.

Após preencher o cadastro, o visitante é convidado a se dirigir para uma sala ao lado da recepção, mobiliada com carteiras escolares de meados do século XX, para assistir a um breve vídeo sobre a história da Casa da Glória.

O nome é proveniente da antiga proprietária de um dos sobrados, Josefa Maria da Glória, que o vendeu para a Coroa Portuguesa em 1813, quando passaram a residir nele os intendentes. Em 1867, já sob a guarda das Irmãs de São Vicente de Paulo, se transformou em educandário feminino, funcionando também como orfanato. A sinalização das salas e parte do mobiliário remete a esses tempos.

O outro sobrado data de 1850 e também era utilizado pelas irmãs para as atividades do educandário feminino e orfanato. Em 1878, para evitar o contato das moças que lá viviam com o mundo externo, foi construído o famoso passadiço da Casa da Glória.

Apenas parte do sobrado de 1850 está aberta para visitação. Já no mais antigo, é possível circular pelos corredores, acessar algumas salas que guardam parte da história do local, uma delas com o Memorial Colégio Nossa Senhora das Dores, assim como passar o tempo caminhando pela área externa.

Foi uma grata surpresa conhecer a Casa da Glória, pois não imaginava o tamanho da propriedade e o acervo existente!

Em uma cidade que se desenvolveu em torno da extração de diamante, não poderia deixar de existir o Museu do Diamante. Ele está localizado na rua lateral da Catedral Metropolitana, ao lado do Chafariz da Câmara, em uma casa que pertenceu a Padre Rolim, um dos nomes da Inconfidência Mineira.

O funcionamento é de terça-feira a sábado de 10h às 17h e aos domingos e feriados de 9h às 13h. A visitação é gratuita e feita em pequenos grupos, com o acompanhamento de um monitor que apresenta o acervo, fornecendo algumas explicações, contando curiosidades e esclarecendo dúvidas.

Uma dessas curiosidades é a expressão “santo do pau oco”, proveniente de uma prática do período colonial, que passou a ser utilizada para indicar alguém que aparenta ser algo que não é. Isso porque a Coroa Portuguesa cobrava um imposto de 20% sobre o que era explorado, o chamado “quinto”. Então, alguns mineiros passaram a utilizar santos fabricados em madeira oca para colocar ouro e outros metais preciosos, a fim de burlarem a fiscalização realizada pelas Casas de Fundição, que eram as responsáveis pela cobrança do imposto. Conta-se que muitas fortunas da época foram obtidas a partir dessa prática.

Para aqueles que não apreciam tanto os museus, o simples ato de caminhar pelas ruas já possibilita voltar no tempo e imaginar como era a vida das pessoas que ali habitaram. A cidade não possui tantas igrejas como Ouro Preto, por exemplo, mas é possível cruzar por algumas ao longo dos caminhos.

Por fim, é possível ter uma panorâmica da cidade a partir do Cruzeiro da Serra ou Cruzeiro Luminoso, inaugurado em 1938. No local havia um antigo cruzeiro de madeira construído por Manoel Anastácio, fato que leva alguns a ainda o chamarem de “Cruzeiro do Anastácio”. Na época, era comum realizar piqueniques e missas. O local é isolado, então dê preferência para conhecê-lo acompanhada e durante o dia.