Roteiro Portugal + Espanha parte 1: Lisboa e Sintra

Compartilhe!

Eu já tinha contado para vocês algumas informações gerais sobre planejamento de uma viagem para Portugal e Espanha aqui. Conforme prometi, inicio nesse texto uma série de 4 posts com o roteiro detalhado dessa viagem incrível por esses dois países ibéricos! Na primeira parte iremos focar em Lisboa e Sintra.

O roteiro de passeios conta com 13 dias. Se você for seguir algo bem parecido com as dicas que irei dar, separe 15 dias para suas férias, dedicando um dia para ida e um para a volta.

Hospedagem em Lisboa

Nos hospedamos em um excelente apartamento AirBNB no Chiado. Ficamos muito bem acomodados (4 pessoas), bastante confortável, excelente localização e havia tudo disponível para que nos sentíssemos em casa! A anfitriã, Brígida, deixou tudo certinho para nós e ofereceu depósito de bagagens no dia do nosso check out.

Lisboa Card

Conforme contei no texto de informações gerais, Lisboa possui um cartão que dá acesso a algumas atrações turísticas, desconto em outras e acesso ilimitado à rede de transporte público. Você compra pela quantidade de dias que quer usar, dentro das opções de 24, 48 ou 72 horas.

Vale a pena? A única forma de você saber é fazendo uma tabela dos passeios que gostaria de fazer, colocar o preço normal em uma coluna e o preço com desconto do cartão (ou gratuidade) em outra coluna. Soma uma coluna, soma a outra e compara! Depois, considerar também quantas vezes por dia você imagina que irá se deslocar, conforme o seu roteiro e fazer as contas do transporte. Se a diferença for muito pequena entre uma condição e outra, considere também o custo do sossego e comodidade. Ter o cartão em mãos certamente é mais cômodo. Se a diferença for grande, faça o que vale mais a pena!

Dia 1: Centro histórico de Lisboa

No primeiro dia, nossa ideia era visitar o centro histórico de Lisboa, que inclusive era onde estávamos hospedados. O roteiro acabou não sendo seguido à risca, porque estávamos cansados da viagem (chegamos pela manhã, mas viajamos a noite toda).

O que iríamos fazer (em negrito você pode identificar o que de fato fizemos nesse primeiro dia):

  • Vistar o Castelo de São Jorge;
  • Mirante de Santa Luzia;
  • Panteão Nacional;
  • Descer a Alfama e parar em
    • Igreja de Santo Antônio de Lisboa;
    • Catedral da Sé;
  • Mercado de pulgas da Feira da Ladra (Campo de Santa Clara) — funciona terças e sábados;
  • Casa dos Bicos (Fundação Saramago);
  • Lisboa Story Centre, na Praça do Comércio;
  • Café-restaurante Martinho da Arcada (café onde Fernando Pessoa tinha uma mesa cativa);
  • Arco da Rua Augusta;
  • Elevador de Santa Justa;
  • Ruínas da Igreja do Carmo.

Algumas dessas paradas nós fizemos em outros dias — você verá mais adiante no roteiro — e outras infelizmente não tivemos como percorrer porque como viajei em fim de ano, muita coisa estava fechada. Falei sobre o que achei de viajar no natal e revéillon aqui.

O Castelo de São Jorge está localizado na mais alta colina da cidade, diz-se que tem a melhor vista de Lisboa e do Rio Tejo. Sou uma caçadora de vistas e pores do sol e fiquei muito feliz com o que encontrei lá! No local foram encontrados vestígios datados de até o século VI a.C., com ocupação de fenícios, gregos, cartagineses, romanos e muçulmanos naquela área. Ou seja, é MUITO antigo!

Já o castelo em si foi fundado nos séculos X e XI, quando Lisboa se constituía como uma importante cidade portuária muçulmana. Em 1147 o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques conquistou o castelo e a cidade, que estava em poder dos mouros. O Castelo de São Jorge foi declarado monumento nacional em 1910. Passou por várias reformas para chegar até os dias de hoje com a aparência medieval que apresenta.

Quanto à Alfama, vimos a Igreja de Santo Antonio de Lisboa por fora e entramos rapidamente na Catedral da Sé.

Nesse dia nós almoçamos na Oficina do Duque, que ficava exatamente embaixo do nosso apartamento e inclusive era do irmão da nossa anfitriã. A comida estava muito boa, mas não é exatamente um restaurante econômico. À noite, voltando do passeio minha mãe e minha irmã comeram o primeiro pastel de nata da viagem (famoso pastel de Belém) na cafeteria Pau de Canela.

Dia 2: bate-volta a Sintra

Nós no Ca.fé em Sintra (arquivo pessoal)

Esse certamente foi um dos meus dias preferidos da viagem, porque Sintra parece uma cidade de princesa! É cheia de castelos coloridos e eles são todos lindos! Um lugar muito pitoresco e agradável.

Começamos o dia pegando um comboio (trem) da estação do Rossio em Lisboa até Sintra. Com o Lisboa Card esse trecho sai de graça e dura em torno de 40 minutos de trem. Chegando em Sintra, tomamos um café bem gostoso e reforçado no Ca.fé, que fica na rua da estação de trem.

Em seguida, pegamos o ônibus 434 Circuito da Pena em frente à estação de trem (6,90 euros por pessoa em dez/2019). Você pode comprar o bilhete com o motorista na hora do embarque e esse ônibus funciona como um hop on-hop off: você desce no ponto onde quiser, depois pode pegar o ônibus novamente e seguir viagem.

Castelo dos Mouros

Nossa primeira parada foi no Castelo dos Mouros, que foi construído no século 10 com o objetivo de ser uma fortificação militar. Permanece inteiro até hoje! É um lugar realmente arrebatador! Imagine caminhar sobre muralhas que estão ali há tanto tempo!

E como se já não fosse maravilhoso por si só, oferece uma senhora vista de Sintra! Inclusive uma muito privilegiada para o Palácio da Pena, que fica logo ali.

Acesse o site oficial para saber os horários de visitação e preços atualizados. Nós compramos um bilhete combinado que dava acesso ao Castelo dos Mouros e ao Palácio da Pena, geralmente são mais econômicos. O Lisboa Card também oferece desconto nessas atrações.

Palácio da Pena

Depois pegamos o ônibus novamente no ponto do Castelo dos Mouros e descemos no Palácio da Pena. Localizado no ponto mais alto de Sintra, é um palácio que demonstra a época do romantismo da cidade, tendo sido fundado entre 1839 e 1885. O Palácio apresenta as ideias do rei D. Fernando II que conciliam em seu interior traços neo-árabes, neo-góticos e neo-manuelinos. O mobiliário da época é apresentado em vários espaços.

Ao redor do palácio, há um parque de 85 hectares, composto por jardins, estufa, capelas, lagos, grutas. A visita é um pouco exigente fisicamente, porque da entrada até o palácio em si há uma caminhada morro acima. Se você quiser, há micro-ônibus que aguardam no sopé desse morro para levá-la até o palácio (mas há um custo, que não chegamos a perguntar porque preferimos aproveitar o passeio subindo a pé).

Palácio da Vila

No ponto do Palácio da Pena, pegamos o ônibus e fomos até Sintra Vila, onde passeamos nos arredores, comemos pastel de nata, queijada e travesseiro — comidas típicas portuguesas, as duas últimas de Sintra — em uma Ale-Hop (loja de variedades, inclusive cheia de coisas legais). A queijada é feita de queijo fresco, açúcar, farinha e canela e é envolvida por uma massa crocante. Não provei porque odeio canela, mas minha mãe e minha irmã adoraram. Já o travesseiro — que eu provei e gostei — é uma massa folhada com recheio de ovos e amêndoas.

Vistamos o Palácio da Vila — cujo nome oficial é Palácio Nacional de Sintra — usando o desconto do Lisboa Card. O palácio se localiza na praça central da cidade. A construção tem inspiração árabe e uma das coisas que mais chamam a atenção são duas torres brancas em formato cônico que são enormes chaminés da cozinha do palácio. Vendo por fora já dá uma sensação de ser enorme, por dentro, é suntuoso.

Desde o século 12 esse palácio funcionou como residência da família real portuguesa. Há influências arquitetônicas de várias épocas diferentes. O que mais me chamou a atenção nesse palácio certamente foi a sala de brasões. É impressionante olhar para toda a sala e se deparar com diversos sobrenomes de famílias nobres portuguesas conhecidos por nós, brasileiras, e que às vezes nós mesmas carregamos. Lembra demais a colonização que sofremos.

Quinta da Regaleira

Depois subimos a pé para a Quinta da Regaleira (em torno de 15 a 20 minutos). Essa atração também conta com o desconto do Lisboa Card.

A Quinta da Regaleira, de todas as atrações, é a mais “lúdica”.

Com ajuda do arquiteto Luigi Manini, o patriarca António Augusto Carvalho Monteiro transformou a propriedade de veraneio da família numa floresta encantada particular, misturando mitologia grega, Dante Alighieri, Camões e maçonaria. Espalhados — e na maioria das vezes, escondidos — pelo bosque você vai encontrar divindades gregas, uma capela neogótica, torreões, jardins, fontes, grutas, labirintos, passagens subterrâneas. O ápice (ao contrário!) do percurso é o Poço Iniciático, uma torre invertida, que se afunda 27m abaixo da terra, e era usado em rituais maçons. Mais do que em qualquer outra atração da cidade, aqui o mapinha oferecido na bilheteria é fundamental. Tendo tempo, porém, o melhor é se perder pela quinta — e usar o mapa para se achar.

Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem

Nós voltamos para a praça de Sintra a pé e de lá pegamos um ônibus municipal até a estação de trem porque minha mãe e minha irmã estavam cansadas. A pé é um trajeto morro abaixo de cerca de 25 minutos.

Dia 3: Oceanário, Parque das Nações, centro histórico

Bom, eu contei pra vocês nesse post o que eu achei de viajar no natal e réveillon. Dentre as desvantagens que percebi, a que mais me incomodou foi me deparar com atrações fechadas, que foi exatamente o que aconteceu. Aqui no dia 3, confesso que foi um erro de percurso: eu montei a planilha com o roteiro e nas mudanças, acabei colocando a Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos e Mosteiro dos Jerônimos em uma segunda. Nenhum deles abre segunda. 🙁

Apesar de saber que não abria às segundas, eu só levei em conta essa informação na hora de montar a planilha. Quando fui fazer modificações para encaixar melhor o roteiro, a informação do horário de funcionamento acabou se perdendo e eu cometi essa gafe.

O que iríamos visitar:

  • Torre de Belém;
  • Padrão dos Descobrimentos;
  • Mosteiro dos Jerônimos (visitar os sarcófagos de Vasco da Gama, Camões, Fernando Pessoa e Alexandre Herculano; a Igreja de Santa Maria de Belém e o claustro);
  • Escolher um museu para visitar dentre: Museu da Marina, Museu de Arqueologia ou o MAAT (museu de arte, arquitetura e tecnologia);
  • Ir à antiga confeitaria dos Pastéis de Belém;
  • Ao final dos passeios, conhecer as lojas da LX Factory.

No momento da frustração e do desespero, resolvi trocar o roteiro do dia 3 com o dia 4 e no final das contas ficou tudo bem. Antes de fazer essa troca, eu entrei no site das 3 principais atrações que queria visitar (as 3 primeiras da lista acima) e conferi o horário de funcionamento: “ufa, abre dia 24 de dezembro, tudo certo. Voltaremos amanhã”.

Então, o que realmente fizemos nesse dia foi visitar o Oceanário, o Parque das Nações (não andamos no teleférico (“telecabine”) porque estava um dia totalmente nublado, então não fazia sentido fazer um passeio que era legal pela vista) e o Centro Vasco da Gama (shopping) na primeira parte do dia.

Oceanário (arquivo pessoal)

Achei o Oceanário legal, mas como eu já tinha visitado grandes aquários em Toronto e em Boston, não foi novidade para mim. Sugiro que você visite apenas se nunca tiver passado por essa experiência e estiver com tempo sobrando no roteiro.

O Parque das Nações é uma região mais moderna de Lisboa que é legal de visitar, mas que também não foi destaque na minha viagem. E o shopping, bom, é um shopping. Eu particularmente só visito shoppings em viagem se tiver alguma loja que eu queira conhecer ou que eu realmente precise ir para comprar alguma coisa. Eu gostei de uma loja lá que se chama Gato Preto, que é de decoração em geral.

A segunda parte do dia (tarde e noite) foi dedicada a voltar em alguns pontos que não conseguimos passar no primeiro dia de roteiro:

  • Lisboa Story Centre, na Praça do Comércio: é um museu interativo cujo percurso completo dura cerca de 1h. À medida que você vai caminhando através de cada ponto, o seu audioguia vai contando a história de Portugal, focada especialmente em Lisboa.
  • Café-restaurante Martinho da Arcada (café onde Fernando Pessoa tinha uma mesa cativa): estava fechado =(
  • Arco da Rua Augusta;
  • Elevador de Santa Justa: aproveitamos esse momento para apreciar a vista de Lisboa à noite e de lá seguimos para o próximo ponto;
  • Ruínas da Igreja do Carmo: no Lisboa Story Centre nós descobrimos que Lisboa passou por um terremoto extremamente intenso em 1755 e uma das edificações mais danificadas foi a Igreja do Carmo, onde até hoje podemos observar ruínas e sinais desse terrível terremoto.
Vista da Igreja do Carmo a partir do alto do Elevador de Santa Justa. Repare no teto (que não existe) da igreja, para observar os danos do terremoto de 1755 (arquivo pessoal)

Após esses pontos, passamos também pela Livraria Bertrand, a mais antiga em funcionamento no mundo, desde 1732. Terminamos no Mercado da Ribeira (Time Out Market Lisboa) onde íamos comer algo, mas jantamos no shopping do Chiado antes de voltar para o hotel. Nós chegamos a passar em frente do A Brasileira (restaurante super famoso na cidade), mas nenhum dos preços do cardápio parecia apetitoso hehehe.

Dia 4: mais frustração natalina no roteiro


Estava tudo lindamente programado para voltarmos à Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos e Mosteiro dos Jerônimos. Apesar de não haver nenhuma informação no site que apontasse que esses locais estariam fechados no dia 24, nos deparamos com todos eles sem funcionar. 😡😡😡

No entanto, por fora esses lugares são lindos e pelo menos deu para tirar algumas fotos legais. Conseguimos pegar o Pastéis de Belém aberto e provamos o verdadeiro pastel de nata!

Depois nós visitamos a LX Factory, que é uma galeria a céu aberto com várias lojas. Sinceramente? Achei gourmetizado demais também e nem senti vontade de comprar nada. Voltamos para o centrinho histórico de Lisboa, almoçamos de novo no Shopping Armazéns do Chiado (no Sabor Gaúcho, cuja comida é satisfatória — mas não excelente —, o prato é simplesmente gigantesco e foi o melhor custo-benefício que meu irmão encontrou e olha que ele procurou muito!).

Depois disso eu e minha irmã ficamos andando, novamente pela Livraria Bertrand, Elevador de Santa Justa, fizemos umas compras rápidas e nós voltamos para o nosso natal, que foi pizza congelada! hehehehe

Fique atenta porque nas próximas semanas trarei as 3 partes seguintes do roteiro. No próximo texto irei contar para vocês sobre o roteiro de Barcelona (primeira parte na cidade) + La Molina.

Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios. Vive em Belo Horizonte sonhando com o Canadá.

Compartilhe!