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Como é ir a um parque de diversões sozinha

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Os aprendizados e a experiência de um dia de parque de diversões sozinha.

Quem me vê hoje em dia, toda independente andando para lá e para cá, pegando avião, sentada na mesa do restaurante, indo ao cinema e fazendo tudo isso desacompanhada, nem imagina que o meu maior medo até uns anos atrás era ficar totalmente sozinha. Olhar ao meu redor, estar no meio de uma multidão de pessoas e não reconhecer um rosto amigo era, para mim, a ideia de um mundo extremamente solitário do qual eu, até então bem dependente socialmente, queria me ver longe.

Até o dia que eu fui morar no meu próprio cantinho e a minha percepção sobre estar sozinha sofreu um verdadeiro plot twist. A partir daí eu comecei a amar e a valorizar cada vez mais os momentos na minha própria companhia. Há uma experiência solo, porém, que nunca tinha passado pela minha cabeça, até o dia que eu tive a oportunidade: ir a um parque de diversões.

A minha ideia de “parque de diversões” era a de um lugar onde a gente compartilha momentos com pessoas que a gente gosta. Eu nunca vi propaganda de parques com alguém segurando um algodão-doce e indo na roda-gigante sozinho e feliz. É sempre sobre famílias, amigos ou namorados. Mas por que não? Pois bem, aproveitei que no dia do aniversário o ingresso é gratuito no Beto Carrero e que atualmente moro em Santa Catarina e fui! No final do dia, descobri vários motivos pelos quais essa experiência sozinha super vale a pena (e fiquei me perguntando por que não tinha feito isso antes).

As filas ficam bem mais curtas

Quem já foi em um parque temático, principalmente em época de alta temporada, sabe muito bem como é: tem fila que a gente fica até duas horas (ou mais) esperando até chegar a nossa vez para depois curtir 4 minutos de brinquedo. Nunca me esquentei com isso, até porque a gente tá ali para se divertir, mas se puder pular esta parte melhor, não?

A boa notícia é que você pode! Muitos parques hoje em dia contam com a single rider nas suas atrações, que é uma fila individual. Toda vez que sobra um espaço no brinquedo eles chamam alguém da single rider para completar, e isso acontece direto, já que a maioria dos grupos não quer ir separado. Quando não tem essa opção, eles costumam chamar uma pessoa da fila normal, então é só ficar atenta.

Eu economizei um tempo danado assim! O que aconteceria, normalmente, é que eu não conseguiria fazer o tanto de atrações que eu fiz em um único dia. E olha que eu cheguei relativamente tarde (já quase na hora do almoço) e fui embora antes de o parque fechar. Isso nos leva, também, ao próximo tópico:

Você aproveita muito mais!

Bom, além de o tempo ficar muito mais “aproveitável” por conta das filas, você decide tudo o que quer fazer, da mesma forma de como e quando quer fazer. O roteiro das atrações, por onde começar, quais brinquedos visitar, quais shows assistir, quando e o que comer, se vai repetir algo, se a prioridade serão os radicais ou os mais tranquilos, se você vai mudar totalmente de ideia no percurso… Eu, por exemplo, gosto de ir tanto nos brinquedos mais radicais quanto nos mais clássicos, como bate-bate, e até os mais infantis (haha), então eu segui o meu ritmo e as minhas preferências.

Outra coisa que me deu muita liberdade e me incomoda quando estou com outras pessoas (e pode parecer besteira) é passar muito tempo fazendo pose para foto enquanto poderia estar aproveitando de outras formas, e em parque temático tem um novo ambiente para uma foto legal o tempo todo. Estando sozinha, eu andava com o celular na mão e clicava o cenário que gostava, sem aquela coisa de “tira uma foto minha aqui” a cada 10 metros. Mas é claro que a gente quer uma recordação nossa, então escolhi alguns lugares a dedo e pedi para alguém me fotografar (e foram só dois).

Aprende a se divertir sozinha

Acho que esse foi o meu maior aprendizado dessa experiência. Talvez não fosse tão difícil me imaginar indo a um restaurante desacompanhada, mas em um parque de diversões era porque… eu precisava me divertir! E mais, me divertir sozinha em um lugar onde a maioria vai com o intuito de estar junto. Pois isso é totalmente possível e é uma delícia quando você chega a essa conclusão! É como descobrir que não existe companhia melhor do que a sua mesma, e isso é maravilhoso.

Compartilha o momento com quem está do seu lado

Outra grande lição é que as pessoas tendem a compartilhar as emoções e se socializar facilmente quando estão na mesma situação. Então se rolar aquele medo de se sentir solitária enquanto todo mundo se diverte, vá tranquila. Da mesma forma que o seu coração estará quase pulando para fora enquanto espera chegar a sua vez na montanha-russa, a pessoa ao seu lado estará sentindo o mesmo. Então por que não dividirem esse momento?

Descobre que é mais corajosa do que imaginava

Para quem não é tão aventureira e radical como eu, mas ainda assim vai nos brinquedos mais emocionantes porque gosta da sensação e do desafio, sabe que muitas vezes nos sentimos motivadas quando estamos com alguém. “Eu só vou se você for”. Daí todo mundo vai, segura na mão do outro e grita junto. Isso significa que, estando sozinha, a gente deixa de ir?

Antes dessa experiência, eu nunca imaginaria enfrentar uma montanha-russa dessas sozinha.

Claro que não! Se eu precisava de coragem para enfrentar qualquer brinquedo que atingisse alturas colossais e descesse a mais de 100 km por hora, eu tirava essa coragem de mim mesma quando me dispunha a entrar na fila. E para mim, esse foi mais um dos ápices da vida adulta.

Isa, mas você não estranhou em nenhum momento?

Teve apenas uma hora que eu me senti um pouco estranha: no bate-bate. Eu costumo mirar quem está comigo para “duelar” no brinquedo, mas como não conhecia ninguém, fiquei fugindo dos outros carros e tentando não colidir haha. Besteira, nada que atrapalhasse a minha diversão.

Tirando isso, eu fiquei bem à vontade o tempo todo, sem pensar em nenhum momento “poxa, mas eu tô aqui sozinha…”. Muito pelo contrário, era “uau, eu tô aqui me divertindo sozinha! Que experiência incrível!”. No final do dia, me diverti bastante e voltei para casa com uma bagagem a mais, amando cada segundo que eu permiti me conhecer mais ainda.

E o dia ainda terminou com o castelo lindamente colorido pelo pôr do sol.

Isadora Dueti

Cuiabana de nascença, meio brasiliense, um pouquinho catarinense e nômade de alma. Futura jornalista, adora compartilhar a sua paixão por viagens através da sua paixão por escrever.

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