viagem sozinha

Vantagens X desvantagens de viajar sozinha

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Minha primeira viagem sozinha foi fruto de um conjunto de fatores. Aconteceu em 2017, o primeiro ano em que eu oficialmente trabalhava apenas com o meu consultório de Psicologia. Como eu mesma sou responsável pelos meus horários, bastava que eu comunicasse aos clientes o período de férias. Era o primeiro ano em que eu tinha total liberdade para escolher como e quando viajar.

Anoitecer em Nova York, visto do 102º andar do Empire State Building

Saber que iria viajar sozinha certamente influenciou a escolha do destino. Eu iria para algum local onde pudesse me sentir mais segura, onde achasse que as coisas funcionariam de um jeito mais fácil. Escolhi Nova York e cidades nos arredores, nos Estados Unidos, porque consigo me comunicar relativamente bem em inglês, é um país muito visitado a ponto de ser extremamente fácil montar um roteiro e obter informações, suficientemente seguro – lá você não anda o tempo inteiro com medo de roubarem seu celular, por exemplo – e, além disso, eu já tinha o visto.

Tendo escolhido as principais cidades – Nova York, Boston, Filadélfia e Washington, montei o roteiro! Toda vez que ligava o computador para resolver detalhes da viagem, vinha uma apreensão, acompanhada de uma série de perguntas: “será que eu vou conseguir fazer tudo isso que estou me propondo?”, “será que eu vou passar algum perrengue pelo fato de estar sozinha?” e a principal de todas “isso que eu estou fazendo é perigoso?”.

Ser mulher e viajar sozinha é assustador. Estou acostumada a não ser respeitada na minha própria cidade (Belo Horizonte – MG), vivenciando situações que vão de incômodas a horripilantes, desde cantadas de rua até ser seguida por um cara em um carro. Essas experiências ruins desestimulam bastante, mas eu não queria desistir. Então, vou contar para vocês as vantagens, desvantagens e o balanço sobre a experiência dessa minha primeira viagem sozinha.

Vantagens de fazer uma viagem sozinha

Independência

Ao viajar sozinha, você reafirma para si mesma o quanto é independente e isso é sensacional! Aqui não estou falando sobre independência financeira, falo sobre tomar suas próprias decisões e seguir adiante com seus planos. Às vezes você é a única pessoa de férias naquele período ou entre seus amigos e familiares só você conseguiu se organizar e juntar dinheiro para viajar. Seria injusto consigo mesma ficar em casa se você ama fazer as malas e decolar, certo?

Liberdade

Se você gosta das coisas do seu jeito, tenho certeza que essa é a maior vantagem de viajar sozinha: liberdade.

Acredito que todos os pontos que menciono abaixo têm a ideia de liberdade embutida neles, mas irei falar sobre cada um especificamente para trazer mais detalhes.

Tudo fica a sua cara

Estar sozinha te dá muito mais poder sobre sua viagem, uma vez que ela é composta por uma grande quantidade de escolhas. Se não há mais ninguém para discutir com você sobre o que, como e quando fazer, todas as decisões serão suas e tendem a te representar mais.

Você pode – e deve! – montar um roteiro que tenha a sua cara. Ama museus? Certamente poderá colocar muitos na sua lista. Prefere uma viagem mais gastronômica? Anote uma boa quantidade de restaurantes nos seus trajetos. Gosta de vida noturna? Poderá explorar diversos bares, pubs e boates pelo mundo afora. Se prefere acordar cedo, dormir até mais tarde, tomar café no hotel ou na rua, pagar mais barato ou pagar mais caro..tudo isso se tornam suas escolhas, que você não precisará discutir para tentar chegar a um meio termo com alguém e nem às vezes ter que fazer algo que não queria.

Viajar em uma época do ano que te agrada mais

Algo que eu – amante incondicional do inverno – aprendi é que a estação do ano não é unanimidade. Conheço pessoas que, assim como eu, priorizam viajar quando é necessário usar três camadas de roupas para se manter aquecido, enquanto outras que perseguem o calor quase o ano inteiro. Se você está indo sozinha para o destino, poderá escolher em qual época viajar: primavera, verão, outono ou inverno; aproveitar algum festival sazonal do local; viajar em época boa para compras; viajar em alta ou baixa temporada, etc.

Pode sair mais barato

Como você não precisará conciliar seus planos com o de outra(s) pessoa(s), poderá ficar sob controle dos preços, por exemplo. Quando quero viajar, coloco em mente algum destino e uma ideia básica de roteiro e fico à espreita das passagens aéreas. Uso dois aplicativos no meu celular: Melhores Destinos e Passagens Imperdíveis. Os aplicativos apitam promoções o dia inteiro e logo que chega uma que me interessa, posso comprar sem medo.

Além das passagens, a ideia de ser mais barato também tem a ver com os nossos hábitos. Por exemplo, eu prefiro ficar em hotéis simples, porém aconchegantes e bem localizados. Se eu fosse viajar com uma pessoa que prefere hotéis chiques, certamente teria que desembolsar mais dinheiro do que faria naturalmente pela minha escolha. Essa mesma lógica também vale para passeios – quais fazer, quando e como fazê-los.

No entanto, nem tudo são flores e viajar sozinha certamente tem suas desvantagens. Vamos a elas:

Desvantagens de viajar sozinha

Fazer refeições sozinha

Acreditem, eu já tinha comido mais da metade do prato e não aguentava mais: a comida e ficar em silêncio no restaurante. Sério, veio MUITA comida! Alguém explica o feijão junto com hambúrguer?

Pode parecer engraçado, mas essa foi a parte mais triste da minha viagem. Tenho o hábito de me alimentar quase sempre na companhia de alguém. Por isso acabei aprendendo que o tempo das refeições é um momento para compartilhar e para conversar.

Sempre que ia almoçar ou jantar, refeições que tomam mais do nosso tempo, achava estranho e não sabia bem o que fazer enquanto esperava minha comida chegar. Acabava fazendo o óbvio e o que podia me reaproximar das pessoas que estavam longe: mexer no celular.

Vontade de conversar

Não sou uma pessoa muito sociável com estranhos e geralmente não viajo com intenção deliberada de fazer amizades. Sou mais voltada a conhecer o lugar e a observar. Sentia bastante vontade de conversar em momentos que me lembrava das pessoas próximas, por exemplo, quando ia a um museu e sabia que se estivesse com fulano de tal iríamos rir juntos de um quadro ou nos emocionar com o aspecto histórico do lugar. Sempre tirava um tempinho para conversar por vídeo com a minha família quando chegava ao hotel e a vontade de conversar era atendida, mas isso não acontecia no cotidiano da viagem.

Fotos ruins

Um motivo que não é tãããão relevante assim, mas que faz diferença para quem gosta de boas fotos para registrar a experiência da viagem são as fotos ruins. Como você está dependendo de selfies, provavelmente não conseguirá os melhores ângulos ou as melhores fotos, já que a câmera frontal costuma não ter a mesma qualidade da câmera traseira do celular e tirar selfie tentando enquadrar o fundo da foto às vezes é bem desajeitado.

“Ah, Débora, mas por que você não pede para alguém tirar?”. Eu peço! Mas as fotos geralmente não ficam boas mesmo assim. A maioria das pessoas ao seu redor não está nem aí para a sua experiência e não sabe fotografar, tira uma foto por obrigação e já vai embora, até porque eles estão preocupados com os próprios roteiros. Uma pessoa ou outra é mais legal e faz um esforço, aí fica bom! Geralmente, quando me pedem para tirar foto eu tiro várias até que a pessoa goste. Sabe-se lá quando ela voltaria no destino e eu me importo que ela tenha uma boa recordação. Mas como já diria minha mãe, eu não sou todo mundo!

Medos bobos

Com quase 30 anos de idade preciso assumir que ainda tenho medo de fantasmas hahahaha. Ficar sozinha em um quarto de hotel não é divertido nesse caso.

Insegurança em algumas situações

Essa é a parte mais séria, na minha opinião. Especialmente por sermos mulheres, estar sozinha não é algo fácil ou muito seguro de ser feito. Em todas as situações que me perguntavam se eu estava sozinha, eu dizia que estava esperando por alguém ou que logo iria me encontrar com uma pessoa que estava me aguardando.

Chegar a um destino à noite, ter que usar o transporte público em horário com pouco movimento, andar com malas nas ruas e por isso ficar mais lenta e vulnerável, usar um Uber ou similar dirigido por um homem: todas são situações que me geraram apreensão. A boa notícia é que podemos usar de alguns recursos para nos tornarmos e nos sentirmos mais seguras, farei um post sobre isso!

“Mas e aí, o que é melhor pra mim?”

Bom, o que eu tenho a dizer é que apenas você tem condições de ponderar os pontos que coloquei acima nas vantagens e desvantagens, além de levantar outros a partir das suas próprias pesquisas e ver o que pesa mais. Algo que pode ser visto como vantagem por mim pode ser visto como uma desvantagem para você e vice-versa.

Eu gosto de ficar sozinha, mesmo na minha cidade. Sei ficar bem com a minha própria companhia e me considero bastante capaz de resolver a maioria das condições normais e adversas que uma viagem pode apresentar. Então a experiência de viajar sozinha acaba sendo relativamente fácil para mim, mas não quero viajar assim sempre. O que eu mais gosto, na verdade, é de viajar na companhia de alguém que tenha gostos e rotina muito semelhantes aos meus, assim eu alio o melhor da viagem sozinha ao melhor da viagem acompanhada.

O balanço dessas minhas viagens foi muito positivo. Como já disse, ficar sozinha não é um problema para mim, além de que tenho boa habilidade para fazer o planejamento de tudo, me programar para que as coisas saiam da melhor forma possível e não deixar de aproveitar uma experiência só por não ter companhia. As desvantagens que citei são quase todas “bobas” para mim – exceto a questão da segurança, que é prioridade total nos meus planejamentos. Assim, eu diria para você não deixar de fazer coisas que quer apenas porque iria fazê-las sozinha – se a viagem sozinha não representar um grande problema para você. Também te digo que fazer uma viagem dessa forma “por obrigação” sendo que você detesta ficar sozinha no geral não será uma boa experiência. Nesse último caso, sugiro que aprenda a apreciar sua própria companhia na sua cidade primeiro, para depois testar em outras. 🙂


Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios. Vive em Belo Horizonte sonhando com o Canadá.

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